A psicanálise diante das anomalias científicas: o que a clínica nos traz?

O mistério da existência e seu fim com a morte despertam uma angústia existencial que, por vezes, nos paralisa. De acordo com Freud e vários de seus sucessores, o interesse pelo paranormal faz parte do universo infantil devido à mente anímica que experiencia o universo como consciente e dotado de forças com propósito e personalidade. Nesse sentido, os fantasmas e as crenças em poderes mágicos seriam resíduos da neurose infantil jamais completamente elaborados no adulto. Deus e as religiões também entrariam como elementos necessários para que as pessoas lidassem com o desamparo frente à aleatoriedade da vida
O que o Futuro Reserva? A Ameaça de Dissolução e uma Perspectiva para Integração e Conciliação

Em meu Discurso Presidencial da PA de 2024, falei sobre as contribuições da parapsicologia para a ciência e o pensamento contemporâneo. Agora, vou me voltar para um tema diferente, mas conectado: o estado atual e o futuro de nosso campo, adotando um olhar mais crítico. Minha fala não se concentrará diretamente nas teorias de psi, ou em como melhor avaliar psi experimentalmente. Em vez disso, irei concentrar-me no panorama institucional mais amplo da parapsicologia, nos desafios atuais que dificultam o desenvolvimento do campo e nas direções que podemos seguir daqui por diante.
O Sagrado no Divã: Por Que a Psicodinâmica é Essencial para Entender a Espiritualidade na Psicologia

A saúde mental é um campo vasto, onde a complexidade da experiência humana se manifesta em toda a sua profundidade. Nela, as dimensões da religiosidade e da espiritualidade (R/E) podem desempenhar um papel inegável, influenciando comportamentos, crenças e a própria forma como lidamos com conflitos e sofrimentos (CAFEZEIRO, 2023). Apesar de sua inegável importância, em decorrência de elementos históricos e circunstanciais, a formação em psicologia inúmeras vezes negligenciou seu estudo e discussões acerca da área.
Promovendo o bem-estar integral: resultados de uma intervenção de florescimento humano em adultos com sintomas depressivos

A depressão é uma das principais causas de incapacidade no mundo e afeta mais de 30 milhões de pessoas, segundo estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS) 1. No Brasil, os transtornos depressivos representam um peso significativo na vida das pessoas, interferindo em sua qualidade de vida, relações e produtividade. Embora existam diversos tratamentos farmacológicos e psicoterápicos disponíveis, muitos pacientes relatam apenas melhora parcial ou de curta duração. Esse cenário tem impulsionado a busca por intervenções inovadoras, acessíveis e de baixo custo, capazes de atuar para além da redução de sintomas e promover o bem-estar integral.
O apoio espiritual como componente da abordagem integral aos cuidados de saúde

A Organização Mundial da Saúde adota esta definição de saúde desde a sua fundação: “um estado de completo bem-estar físico, mental e social, e não apenas a ausência de doença ou enfermidade”. No entanto, o bem-estar espiritual é também um forte candidato à inclusão como uma dimensão geral da saúde, aprimorando este modelo biopsicossocial. A humanização do atendimento clínico e as abordagens centradas no paciente nas últimas décadas tornaram essa expansão quase obrigatória. Consequentemente, o cuidado espiritual não é opcional, tornando-se uma obrigação e um pré-requisito ético para a boa prática da saúde.
Fé e Resiliência em Tempos Turbulentos: O Papel das Experiências Religiosas no Bem-Estar e no Enfrentamento de Crises

Observa-se que a história da humanidade é pontuada por desafios que testam nossa capacidade de adaptação e resiliência. Sejam pandemias devastadoras ou cenários geopolíticos incertos que nos remetem à beira de um conflito, como o que se desenha em nosso horizonte atual, a busca por sentido e suporte se intensifica. Em meio a essas turbulências, a religiosidade e a espiritualidade (R/E) emergem como forças poderosas no enfrentamento individual e coletivo, oferecendo não apenas conforto, mas também estratégias ativas para lidar com o desconhecido.
Alegadas memórias de vida passada: para além de uma evidência anedótica

O fenômeno das alegadas memórias de vida passada (MVP) tem sido investigado no ambiente acadêmico há mais de 60 anos. Desde que o psiquiatra canadense Ian Stevenson se interessou por esse tipo de investigação, casos em todo o mundo foram pesquisados, superando a casa dos 2.500 (MORAES; BARBOSA; CASTRO; TUCKER et al., 2022). A maior parte dos estudos foram feitos investigando crianças que, a partir dos 2 ou 3 anos de idade, ou assim que começam a falar, espontaneamente afirmam terem feito coisas, conhecerem pessoas e terem vivido em lugares que não são compatíveis com sua história de vida. Adicionalmente, 75% delas relatam o modo como supostamente teriam morrido, e 70% dessas mortes são descritas como violentas (TUCKER, 2008).
Competências para o Manejo Clínico de Espiritualidade na Psicoterapia

Observa-se um aumento de publicações científicas sobre o tema da religiosidade e espiritualidade (R/E), que apontam tanto seu potencial benéfico quanto prejudicial na área da saúde mental (GARSSEN, VISSER & POOL, 2020). Tais estudos evidenciam a necessidade de profissionais da saúde estarem cientes das implicações deste tema no contexto clínico.
Experiências de mediunidade em crianças: o que estamos aprendendo?

Nos últimos anos, a espiritualidade tem ganhado espaço como um tema relevante nas publicações em ciências da saúde. Diversos estudos mostram que crenças e práticas espirituais estão associadas a melhores índices de saúde física e mental. No entanto, medir espiritualidade de forma precisa e científica continua sendo um grande desafio, especialmente quando se considera as diferenças conceituais em torno do tema, além da diversidade cultural de indivíduos e comunidades.
Experiências religiosas, mediúnicas, anômalas e não-ordinárias trazidas pelos pacientes para a psicoterapia

Nos últimos anos, a espiritualidade tem ganhado espaço como um tema relevante nas publicações em ciências da saúde. Diversos estudos mostram que crenças e práticas espirituais estão associadas a melhores índices de saúde física e mental. No entanto, medir espiritualidade de forma precisa e científica continua sendo um grande desafio, especialmente quando se considera as diferenças conceituais em torno do tema, além da diversidade cultural de indivíduos e comunidades.
