Qual o panorama do ensino-aprendizagem em “Saúde e espiritualidade” nas escolas médicas brasileiras?

As evidências sobre a importância das dimensões biopsicossociais e espirituais no cuidado em saúde são crescentes a cada ano. Nesse contexto, a Espiritualidade/Religiosidade (E/R) é reconhecida como um componente relevante da experiência humana, influenciando a forma como indivíduos enfrentam o adoecimento, aderem a tratamentos, elaboram sofrimento e constroem significados diante de situações de vulnerabilidade, dor e finitude. Diversos estudos demonstram que crenças espirituais/religiosas podem impactar desfechos clínicos, qualidade de vida, saúde mental e tomada de decisões terapêuticas, tornando fundamental que profissionais de saúde estejam preparados para abordar essas questões de maneira ética, acolhedora e culturalmente sensível.

Resenhas sobre o livro História da Liberdade Religiosa: da Reforma ao Iluminismo

A História da liberdade religiosa: da Reforma ao Iluminismo, não é de modo algum um livro de história da religião, embora também a inclua. Trata-se de uma história das ideias, particularmente a gênese e a consolidação da ideia da liberdade, identificando o debate intelectual como seu berço. A liberdade nasce em livros. Foi suspeitada em Atenas, Roma, Jerusalém, Alexandria, Constantinopla, Paris e Florença, mas nasce efetivamente em Wittenberg, Praga, Zurique, Oxford e Genebra como liberdade religiosa, para depois ganhar corpo como liberdades civis e existenciais.

Envelhecimento Bem-Sucedido: O Papel de Suporte da Religiosidade

Inúmeros fatores culturais, sociais e psicossociais influenciam a qualidade de um processo de envelhecimento (Rowe & Kahn, 1997). A religiosidade é um dos fatores que serve como um aliado desse processo, colaborando com a aquisição de hábitos saudáveis, como menos consumo de cigarro, álcool e outras drogas, alimentação balanceada, menos sintomas de depressão, ansiedade e solidão

Mecanismos relacionados à influência da afiliação religiosa em decisões cotidianas e no cuidado à saúde: um estudo nacional brasileiro

As questões relacionadas à espiritualidade, religiosidade e saúde têm despertado interesse crescente e cada vez mais configuram-se como um campo em desenvolvimento. Pesquisas apontam para o crescente número de produções acadêmicas (Lucchetti et al., 2021). Considerando a freqüência dos termos (spiritual* OR religio* AND health) nos títulos ou resumos, entre 2010 e 2021 foram identificados mais de 3.300 estudos originais relacionados ao campo da espiritualidade / religiosidade.

Mapeando o Conceito de Florescimento na Pesquisa em Saúde Mental: Uma Revisão de Escopo

Nas últimas décadas, a saúde tem incorporado uma perspectiva salutogênica, ampliando o foco da doença para a promoção da saúde e do bem-estar (Aaron Antonovsky, 1979). Nesse contexto, a psicologia positiva e a medicina do estilo de vida propõem intervenções voltadas a virtudes, valores, gratidão, resiliência, otimismo e espiritualidade, com evidências de redução de sintomas depressivos e ansiosos, além de melhora da qualidade de vida (Carr et al., 2021; Chakhssi et al., 2018). O conceito de florescimento possui raízes na eudaimonia aristotélica, entendida como um bem-estar vinculado à realização das potencialidades humanas. Assim, florescer envolve o cultivo de virtudes morais e intelectuais e uma vida orientada por ações éticas e comunitárias.

A Morte é um Muro ou uma Porta? Para Onde Apontam as Evidências Científicas?

A morte figura entre os temores mais profundos e as fascinações mais duradouras da humanidade, suscitando questões persistentes: O que é a morte? O que acontece após a morte? Esta reflexão baseia-se na indagação de Santos & Fenwick (2012): “A morte é um muro ou uma porta?” Os autores argumentam que a resposta a essa pergunta é crucial, pois pode exigir uma reconfiguração fundamental de nossa compreensão do cosmos e de nós mesmos, com implicações éticas e científicas de amplo alcance em todos os domínios do conhecimento.

Saúde, Espiritualidade e Religiosidade segundo o Espiritismo: antologia temática ou estado da arte da literatura

Em todas as civilizações e culturas, desde épocas mais remotas, o ser humano busca compreender sua essência espiritual, ponto de ligação com a Divindade e subsídio ao entendimento do sentido da vida, do processo saúde-doença e do mistério da morte. Denominada, simplificadamente, como alma ou espírito, representa a esperança na continuidade do ser e de sua vida de relações afetivas após o desenlace carnal, assumindo posição de destaque no desenvolvimento de diversas filosofias e religiões.

Experiências Espirituais e Religiosas e Transformações da Fé: Perspectivas de Pesquisas Nacionais no Brasil

Nos últimos anos, um crescente corpo de pesquisas tem se dedicado a compreender as experiências espirituais e religiosas (EERs) como fenômenos centrais da vivência humana, marcadas pela percepção de uma dimensão transcendente que pode transformar profundamente a visão de mundo do indivíduo. Desde The Varieties of Religious Experience, de William James (1902/2002), essas experiências vêm sendo interpretadas como eventos de consciência ampliada que ultrapassam fronteiras doutrinárias e culturais. Pesquisadores contemporâneos, vem ampliando essa discussão ao destacar que as EERs constituem parte natural da experiência humana, podendo emergir espontaneamente ou ser induzidas por práticas espirituais, estados emocionais intensos, situações-limite ou mesmo eventos cotidianos de insight e conexão

Espiritualidade e Psicodélicos: (Re)Abrindo as Portas da Percepção

Nas últimas duas décadas, as pesquisas científicas com psicodélicos vêm ganhando força e despertando interesse tanto da comunidade acadêmica quanto do público em geral. Ensaios clínicos com substâncias como psilocibina, LSD e MDMA têm mostrado eficácia em condições como depressão resistente, transtornos relacionados ao uso de substâncias e transtorno de estresse pós-traumático (TEPT), como descrito por Griffiths et al. (2006, 2008) e confirmado em protocolos de Johnson et al. (2008).

A psicanálise diante das anomalias científicas: o que a clínica nos traz?

O mistério da existência e seu fim com a morte despertam uma angústia existencial que, por vezes, nos paralisa. De acordo com Freud e vários de seus sucessores, o interesse pelo paranormal faz parte do universo infantil devido à mente anímica que experiencia o universo como consciente e dotado de forças com propósito e personalidade. Nesse sentido, os fantasmas e as crenças em poderes mágicos seriam resíduos da neurose infantil jamais completamente elaborados no adulto. Deus e as religiões também entrariam como elementos necessários para que as pessoas lidassem com o desamparo frente à aleatoriedade da vida